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    D. Pedro I

    d pedro

    Tendo em vista a toponímia de todas as capitais brasileiras, o nome de D. Pedro I aparece em trinta e oito (38) logradouros dos quinhentos e três (503) nomes que temos levantados (entre ruas, avenidas, praças, parques, travessas, viadutos e alamedas), ou seja, um total de 7,55%. Analisando-o em relação à ocorrência de outras toponímias, percebemos que a incidência dos termos Sete de Setembro, Independência e até Ipiranga são mais recorrentes do que a de D. Pedro. Na região Norte ainda temos a forte presença do Dois de Julho, que possui uma ocorrência maior que D. Pedro.

    Se tomamos por região, temos: doze (12) referências a D. Pedro na região Nordeste (equivalente a 31,57% do total), nove (9) na região Norte (23,68%), sete (7) na região Sudeste (18,42%), seis (6) na região Centro-Oeste (15,78%) e quatro (4) na região Sul (10,52%). Por mais que a região Nordeste concentre o maior número de toponímias com o nome do imperador, assim como também possua o maior número de referências para todas as outras toponímias pesquisadas, curiosamente a capital brasileira com a maior incidência do nome é Belém, no Pará, com um total de quatro (4).

    Ainda que D. Pedro seja uma das personagens que mais rapidamente vem à memória quando falamos da Independência, tendo seu nome maior incidência nos logradouros do que a própria Imperatriz Leopoldina (que possui 29 pelas capitais brasileiras), o mesmo não ocorre em relação a José Bonifácio, que possuiu um total de 58 ocorrências, número significativamente maior do que às referências ao imperador; o que pode, no mínimo, incitar uma discussão sobre a memória popular e a memória urbana institucionalizada da Independência nas capitais.

    Já em relação aos monumentos que trazem seu nome, Dom Pedro dispõe de quatro (4) por todo o Brasil, estando duas (2) estátuas na região Sudeste - uma no Rio de Janeiro e outra em São Paulo -, um (1) busto na região Norte e um (1) obelisco na região Nordeste - em Manaus e Maceió Ainda que a referência de seu nome em logradouros seja mais forte na região Nordeste, como dissemos acima, é notável que, na criação de artefatos, a incidência seja maior na região Sudeste. Sabe-se que a construção de monumentos e nomeação de ruas possuem funções simbólicas diferentes, por mais que ambos tenham uma função de uma valorização de uma memória específica: o monumento é a obra realizada com a finalidade de consagrar e marcar, para a posterioridade, o feito de um indivíduo ou de um grupo de pessoas, enquanto a rua institui definitivamente a memória no cotidiano, onde inúmeras pessoas trafegam no dia a dia. Nesse sentido, vale notar que a estátua no Rio de Janeiro foi inaugurada no ano de 1862 e está localizada na atual Praça Tiradentes, que na época era denominada Praça da Constituição (ocorrendo a mudança de nome somente no ano de 1890), no centro da cidade. Já a estátua de Dom Pedro em São Paulo encontra-se no Parque do Ipiranga e teve sua inauguração no aniversário da cidade, em 2020. Em Manaus, o busto do imperador foi implantado no ano de 1972, em comemoração ao Sesquicentenário, e está localizado na Praça Heliodoro Balbi, também no centro da cidade. Em Maceió, na Praça Dois Leões, o obelisco erguido em homenagem a Dom Pedro e a Independência data do ano de 1922, em meio às comemorações do Centenário. É notável, portanto, como as datas de construção desses monumentos variam fortemente, abrangendo um amplo marco temporal

    Na contagem dos edifícios públicos pelas capitais, foi encontrado um número de 45 escolas, hospitais, teatros, etc. que levam o nome de D. Pedro, estando: trinta e dois (32) na região Nordeste (totalizando 71,11%), seis (6) na região Sudeste (13,33%), três (3) na região Centro-Oeste (6,66%), três (3) na região Norte (6,66%) e um (1) na região Sul (2,22%). A capital com maior incidência de edifícios é Salvador, seguida de Alagoas e Maranhão. Esses dados reforçam a ideia de que a construção da memória de D. Pedro foi propositadamente forte no tecido urbano da região Nordeste, tanto na forma de edificações como na de logradouros, talvez exatamente porque, do ponto de vista de uma história mais tradicional, a Independência seja muito mais identificada com o Centro-Sul.


    Referências

    1. DUARTE, Durango Martins. Manaus entre o passado e o presente. Manaus: Mídia Ponto Comum, 2009, p. 81.
    2. FERRAÇA, M.; LACOWICZ, S. D. Memórias do Império em disputa: sentidos no espaço urbano a partir da análise da estátua equestre de D. Pedro I. Cadernos de Estudos Linguísticos, Campinas, SP, v. 61, p. 1–16, 2019. Acesso em: 9 jun. 2022.
    3. MONTEIRO, I.; LOUISE, P.; MEDEIROS, S.; CANDIDO, A. A CIDADE, LUGAR DA EDUCAÇÃO PATRIMONIAL JARAGUÁ EFÊMERO: Um livro aberto para as transformações urbanas na Rua Sá e Albuquerque. Minas Gerais, 12º Mestres e Conselheiros: Patrimônio Como Ação Local, dez 2020.

    Como citar este verbete

    "D. Pedro I". In: Independência Memórias. Disponível em: https:/www.independencia-memorias.com.br/verbetes/monumento-ipiranga. Data de acesso: 11 de julho de 2022.

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