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    Sete de setembro

    Sete de setembro

    Sabe-se hoje que o Sete de Setembro não foi, durante muito tempo, a data consensual para se comemorar a Independência, mesmo que ela tivesse já sido aventada por alguns desde 1822; por um período de tempo, o Doze de Outubro (aniversário de Pedro I e data de sua aclamação como imperador) foi comemorado com mais intensidade. Apenas posteriormente o Sete de Setembro seria escolhido como oficial para representar o momento fundante do Brasil, e iria se impor na narrativa de heroicização de Dom Pedro I. Assim sendo, a data se tornaria sacramentada, passando a ser reivindicada como um ritual nacional. Diferentes regimes políticos se associaram a essa data, adaptando os seus significados; como foi o caso do Império, que vinculava a ela um marco da conquista da liberdade à dinastia de Bragança. Isso se justifica pela necessidade de criação de instrumentos que assegurem e/ou expressem identidade e coesão social, buscando no passado as raízes da identificação da sociedade e do indivíduo.

    No início do século XX, a Independência passa a ocupar um novo espaço simbólico para a República, quando se tentara reconciliar na nação emergente um país moderno ao mesmo tempo que vinculado à tradição imperial visto. Já no contexto da Ditadura, ocorrem festividades para tentar se apropriar dessa simbologia e de suas implicações para propagar a ideia nacionalista e ufanista de que o Brasil vivia um momento de grandeza, de crescimento econômico e de otimismo, para concretizar a noção de que o país prosperara. Em ambas experiências se sacraliza a data que, entretanto, não é somente abduzida enquanto parte de uma ampla configuração política nacional para o brasileiro, mas é expressa nas suas capitais como parte de sua materialidade cotidiana, referenciada no espaço urbano.

     

    Nos logradouros, o Sete de Setembro é referenciado cento e seis (106) vezes do total de quinhentas e três (503) referências às categorias da Independência espalhadas pelas capitais do Brasil. Por região, no Nordeste são quarenta e cinco (45) aparições (42,4% dos 106), sendo a segunda mais referenciada de Salvador, com dezesseis (16) aparições. É a mais referenciada nas capitais de São Luís, Teresina, Aracaju e Maceió. Existem vinte e nove (29) referências no Norte (27,3%), aparecendo mais vezes, se comparada às outras categorias da Independência referenciadas, nas capitais do Rio Branco, Boa Vista e Palmas. O Sudeste tem dezessete (17) referências (16,03%), com destaque no comparativo de referenciamentos às categorias da Independência nas capitais de Belo Horizonte e Vitória. No Centro-Oeste temos doze (12) referências à data (11,3%), sendo em Cuiabá onde se dá sua maior ocorrência. O Sul, por fim, tem número bem menos expressivo, três (3) referências (2,8%), mas nenhuma tem destaque no comparativo.

    Há apenas um monumento, segundo nossa pesquisa, que faz referência ao Sete de Setembro, sendo este um obelisco inaugurado durante as comemorações do Centenário em 1922, em João Pessoa, na Praça da Independência, região Nordeste. Tanto o obelisco quanto a praça foram tombados pelo IPHAEP – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba – em 1980.

    Sobre os edifícios, igualmente não achamos referências na região Sul, Norte e Sudeste. No Centro-Oeste, aparece três vezes em Goiânia, simbolizando 21,4% do total de referências dessa região. No Nordeste aparece vinte e oito vezes (26,6%) do total de cento e cinco, ficando atrás somente do Dom Pedro I em quantidade. É sete (7) vezes referenciada no Ceará, sendo o nome vinculado à memória da Independência mais referenciado nesta capital; outras seis em Alagoas, sendo a segunda mais referenciada nesta capital. Cinco vezes referenciada na Bahia, terceira mais referenciada na capital. Por fim, há três referências em Pernambuco e Maranhão, duas na Paraíba e uma no Piauí e no Rio Grande do Norte.

    Ao que se percebe, existe uma grande importância da data no espaço urbano, mesmo que não tenhamos todas as respostas de como essa a materialidade se tornou possível. A força da incidência da data nas regiões Nordeste e Norte, pode ser assim explicada pela notável a criação e imposição da narrativa do Sete de Setembro fora do Sudeste

    Já com relação à toponímia Ipiranga, simbologia extremamente interligada com o Sete de Setembro - por ter sido supostamente o lugar onde Pedro I teria proclamado a Independência -, o número de logradouros encontrados foi quarenta e seis (46) pelas capitais brasileiras, o Nordeste novamente liderando com quinze (15) ocorrências, 32,6% do total, Norte com doze (12), equivalente a 26%, Centro-Oeste com onze (11) aparições, que diz respeito a 23,9%, Sudeste com cinco (5), total de 10,8%, e o Sul com três (3), uma porcentagem de 6,5. Com relação aos edifícios, foram localizados sete (7) no total, sendo três (3) na região Nordeste, 42,8% do total, dois (2) no Centro-Oeste, 28,5%, um (1) no Sudeste e um (1) no Sul, representando 14,2% cada região.


    Referências

    1. CORDEIRO, Janaina Martins. Milagre, comemorações e consenso ditatorial no Brasil, 1972.
    2. KRAAY, Hendrik. A Invenção do Sete de Setembro, 1822-1831. Almanack Braziliense. São Paulo, n°11, p. 52-61, mai. 2010.
    3. MOTTA, Marly Silva da. A nação faz cem anos: a questão nacional no centenário da independência. Rio de Janeiro: Editora FGV: CPDOC, 1992.

    Como citar este verbete

    DE TAL, Fulano. "Monumento do Ipiranga". In: Independência Memórias. Disponível em: https:/www.independencia-memorias.com.br/verbetes/monumento-ipiranga. Data de acesso: 11 de julho de 2022.

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