Monumento à Independência - Parque da Independência (Bairro do Ipiranga)
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| Monumento à Independência |
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Este verbete é parte das Cartografias |
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Erguido em meio a uma onda de construções de monumentos em homenagem aos heróis nacionais e às independências pela América Latina, o Monumento à Independência está situado no local onde Dom Pedro teria proclamado a emancipação do Brasil com relação a Portugal. Foi inaugurado após a realização de um concurso público internacional, que aconteceu no ano de 1917, visando estar pronto para as comemorações do centenário em 1922. Importante ressaltar que neste contexto de celebração do centenário, existia uma forte disputa entre São Paulo e Rio de Janeiro pelo protagonismo das festividades, visto que cada estado afirmava ter maior importância na consolidação da história do país.
Desde 1825 havia um desejo, por parte da Câmara Municipal de São Paulo, de se erguer um monumento comemorativo junto do riacho do Ipiranga. Todavia este só foi realmente concretizado com o concurso vencido pelo italiano Ettore Ximenes (1855-1926). Ximenes utilizou de referências iconográficas, tal como o quadro de Pedro Américo, Independência ou Morte, e dos detalhes históricos contidos na obra “História do Brasil” de Rocha Pombo (VIÑUALES, 2004). Apesar de a obra de Ximenes ter recebido elogios após terminada, os jurados do concurso solicitaram diversas mudanças à proposta inicial do artefato, como a inclusão de outros eventos históricos que faziam parte da narrativa da independência, por exemplo a Inconfidência Mineira e a Revolução Pernambucana (MONTEIRO, 2019). Além do desejo de construir a obra para as comemorações de 1922, o governo paulista buscava ter um “monumento público e de estilo clássico” que seguisse as regras acadêmicas francesas e italianas e também fosse feito por um artista filiado “à tradição do belo”, que tivesse prestígio internacional, colocando o Brasil (e São Paulo) no nível de ter produções escultóricas internacionais. O artefato fora inaugurado em 7 de setembro de 1922, embora ainda não tivesse sido concluído, o que aconteceu apenas quatro anos depois.
O monumento foi recebendo acréscimos com o passar dos anos; em 1953 começou a ser construída a Cripta Imperial no seu interior, onde seriam depositados os restos mortais da Imperatriz Leopoldina no ano seguinte. Em 1972, durante as comemorações do Sesquicentenário da Independência, os despojos de Dom Pedro I, trazidos de Portugal, se juntaram na capela, seguidos, no ano de 1984, dos restos mortais da segunda imperatriz, Dona Amélia. No ano de 2000 foi instalado, pelo Departamento do Patrimônio Histórico (DPH), um novo espaço que possibilitaria o acesso do público às “entranhas” desta escultura comemorativa, o qual passaria a abrigar exposições museológicas históricas (informações retiradas do Site Museu da Cidade de São Paulo).
Referências
- Cripta Imperial | MCSP. Museu da Cidade de São Paulo, São Paulo.
- MONTEIRO, Michelli Cristine Scapol. Mercado e Consagração: o concurso internacional do Monumento à Independência do Brasil. H-Art. Revista de Historia, Teoría y Crítica de Arte, [S.L.], n. 4, p. 79-102, jan. 2019. Universidad de los Andes. http://dx.doi.org/10.25025/hart04.2019.05
- VIÑUALES, Rodrigo Gutierréz. Monumento conmemorativo y espacio público en Iberoamerica. Cuadernos Arte Cátedra. 1ª ed, Madrid, 2004, p. 556.
Como citar este verbete
DE TAL, Fulano. "Monumento do Ipiranga". In: Independência Memórias. Disponível em: https:/www.independencia-memorias.com.br/verbetes/monumento-ipiranga. Data de acesso: 11 de julho de 2022.

